quarta-feira, 9 de abril de 2014


FELIZ É O HOMEM I

Pv. 28: 13 e 14 - "O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia. Feliz é o homem que teme ao Senhor continuamente; mas o que endurece o seu coração virá a cair no mal."
O dicionário traz, no verbete felicidade, as seguintes acepções: 'qualidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar, boa fortuna; sorte, bom êxito, acerto, sucesso'. É por via de consequência também um adjetivo de dois gêneros que significa: 'favorecido pela sorte; ditoso, afortunado, venturoso.' Percebe-se, claramente, que todas as acepções têm como referência aquilo que o homem idealiza, deseja, quer e busca para sua vida. Vê-se que toda a carga dos significados deste significante está centrada apenas no desejo do homem. O desejo de felicidade é uma carência do homem projetada por ele e que se dirige a ele, como sinônimo de alegria, satisfação e completude da vida. 
Sabe-se, no entanto, que há pessoas as quais lutam por toda existência para obter aquilo que julga ser a felicidade, e, ainda assim, não são felizes. Outros homens nada fazem para buscar a felicidade, e, também não são felizes. Outros ainda, não lutam demasiadamente, nem deixa de almejar a felicidade, quer por palavras, quer por ações e reações, e, ainda assim, não são também felizes. A questão é que ninguém é feliz apenas por buscar a felicidade, porque dar-se-ia que ela se reduziria a uma mercadoria comprável, elaborável ou construível a partir das ações humanas. As questões do ser feliz e do estar feliz necessitam ser consideradas, porque aquela é um estado contínuo, resultante de alguém ser completo e perfeito, já, esta, é mera consequência da dose de expectativa que o homem projeta sobre si, sobre os outros homens e sobre o mundo. Neste sentido, o que produz o estado de felicidade para um, pode produzir a tristeza e a desgraça de outro. O estar feliz é efêmero, mas o ser feliz é um princípio inerente e imanente daquele que é portador da felicidade. Portanto, feliz é o homem que ganha a felicidade de Cristo.
Pv. 8:34 - "Feliz é o homem que me dá ouvidos, velando cada dia às minhas entradas, esperando junto às ombreiras da minha porta." O texto demonstra na sua essencial significação que o homem é feliz quando ouve a Palavra de Deus e a considera, guardando ou internalizando cada dia aquilo que Deus estabelece como verdadeiro e justo. Ele espera e guarda as coisas espirituais como um processo natural e não como um ritual de religião exterior.
Pv. 3:13 - "Feliz é o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire entendimento." o estado de ser feliz é a consequência de o homem achar a sabedoria e obter o entendimento a partir dela. Sabe-se que há duas naturezas de sabedoria: a terrena e do alto. A terrena é humana e diabólica conforme informa Tg. 3:15 - "Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica." É um estado passageiro, porque sediado na Terra, é originada na alma, porque é animal e também diabólica, porque as Escrituras afirmam que quem cogita das coisas do homem é o Diabo conforme Mc. 8:33b - "Para trás de mim, Satanás; porque não cuidas das coisas que são de Deus, mas sim das que são dos homens." A razão porque a sabedoria humana é desqualificada é o que consta no verso 14 da epístola de Tiago: "Mas, se tendes amargo ciúme e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade." O que é o ciúme senão o desejo que algo ou alguém lhe seja por exclusiva propriedade? O sentimento dividido conduz o homem infeliz a dar glória e a mentir contra a verdade. Sabe-se que a verdade não é uma mera concepção, mas uma pessoa, a saber, Cristo. Ele mesmo afirma que é 'a verdade, o caminho, e a vida.'
A sabedoria que provém do alto, ou seja, de Deus difere substancialmente da sabedoria terrena conforme Tg. 3: 17 e 18 - "Mas a sabedoria que vem do alto é, primeiramente, pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se em paz para aqueles que promovem a paz." Uma coisa será pura quando não se deixa contaminar ou poluir por outras coisas de naturezas diferentes. O ato de ser pacífico resulta de ter a paz, e, esta é também uma pessoa, isto é, Cristo. Ele mesmo diz: 'a minha paz vos dou, não vo-la dou como o mundo a dá.' O mundo presume produzir a paz a partir de coisas, mas Cristo doa-se a si mesmo. A moderação é o equilíbrio, ou seja, evitar os extremos. Ser tratável é aquele que é aberto às manifestações e reações externas. A plenitude da misericórdia ocorre quando se tem perfeita consciência que o coração do homem é miserável e carece da graça de Deus em Cristo. Os bons frutos não são o resultado da ação que parte da iniciativa do homem, mas que resulta da ação de Deus no homem. A imparcialidade é a condução sem pender, nem para a direita, nem para a esquerda sobre as demandas do mundo e dos homens. Por isso Jesus, o Cristo afirma em Jo. 12:43 - "... porque amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus." Assim, a felicidade do homem está naquilo em que ele põe o seu coração, o seu entendimento e de onde busca a sabedoria. A glória dos homens é terrena, almática e diabólica. Portanto, é transitória, mas a glória de Deus é espiritual, celeste e divina. Deus é felicidade, não apenas  possui felicidade como que uma porção mágica que se dispensa aos homens e depois acaba, necessitando de maiores porções a cada momento. Ele é a própria felicidade, porque completo, pleno e absoluto.
A infelicidade humana consiste em encobrir as suas transgressões, ou seja,  em não reconhecer quem de fato é. Na maior parte das vezes o homem apenas declara verbalmente algum erro ou mau comportamento, mas isto não é confissão. Ao conhecer e reconhecer-se o homem decaído tem a graça para confessar-se pecador e de suplicar a misericórdia de Deus para remissão das suas transgressões. Assim, feliz só poderá ser o homem que achou a graça que salva mediante a fé, e, ambas não são resultantes dos seus atos de justiça própria, mas da misericórdia graciosa d'Aquele que é a própria felicidade.
Solo Christus!
ANDAR COM DEUS E NÃO SER MAIS ACHADO
Gn. 5: 22 a 24 - "Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos; Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou."
Em hebraico o vocábulo andar ou caminhar ocorre sob duas semânticas: como verbo que expressa a ideia de caminhar, seguir um itinerário, dar passos em uma direção, mas também por extensão de sentido significa estar em comum acordo, estar, sentir-se ou viver em determinada condição ou estado. A outra função gramatical é como substantivo masculino, o qual traz a ideia de ato ou maneira de andar. No texto acima o qual relata a experiência de Enoque, o sétimo homem depois de Adão, utilizou-se da função verbal. No verso vinte e quatro afirma-se: '£yihÈlé'Ah-te' ªônáx ªEGlahütÇCyÂw'. Esta frase significa literalmente: '... e caminhou o Enoch com Deus...' Isto implica que Enoque esteve com Deus em conformidade com sua santidade e justiça.
O texto demonstra que antes de gerar o seu filho Matusalém, Enoch não andava com Deus. Após a geração deste filho, Enoque andou com Deus por trezentos anos. Desta forma, após ser pai, Enoch foi convertido e passou a ter uma natureza concordante com Deus. Tal concordância entre um homem decaído e o Deus soberano e santo só é possível após uma real reconciliação. A reconciliação ou redenção do pecador perante Deus sempre foi por meio de Cristo, tanto antes, como depois da sua manifestação histórica em Jesus. Antes da concretização histórica na pessoa de Jesus, a redenção foi pela fé que o redentor viria. Depois da referida manifestação concreta, pela fé que ele já veio. Todos os eleitos e predestinados creram e crerão no salvador único, Jesus, o Cristo.
Neste texto, Enoque é um tipo de Jesus, o Cristo que viria para reconciliar os pecadores eleitos. Quando Cristo foi levado à cruz, o foi por causa dos eleitos para que fossem reconciliados com Deus. É este o sentido da dupla referência profética neste texto: "Andou Enoque com Deus, depois que gerou Matusalém... e gerou filhos e filhas." Tanto se refere à experiência de conversão de Enoque e da geração da sua descendência, como da morte de Cristo e dos regenerados por Ele na cruz.
I Ts. 4:1 - "Finalmente, irmãos, vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus que, como aprendestes de nós de que maneira deveis andar e agradar a Deus, assim como estais fazendo, nisso mesmo abundeis cada vez mais." Paulo doutrina a Igreja em Tessalônica como é o andar em Cristo. Sabe-se que é impossível agradar a Deus sem a fé conforme Hb. 11:6 - "Ora, sem fé é impossível agradar a Deus." Sabe-se ainda que a fé é dom obtido pela misericórdia e pela graça alcançadas em Cristo. A fé não é um exercício de religião exterior. Também são características do que anda com Deus em Cristo aquelas apontadas em Cl. 1:10 - "... para que possais andar de maneira digna do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus..."
A experiência de Enoque é uma prefigura do arrebatamento da Igreja no fim dos tempos conforme Hb. 11:5 - "Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus." Desta forma o autor da epístola aos hebreus confirma o que está no texto de abertura que diz: "Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou." Esta é, portanto, a experiência da Igreja formada por todos os eleitos e regenerados cujos nomes foram escritos no livro da vida do Cordeiro. Ao tempo em que ganham a experiência de novo nascimento, passam a andar com Deus por meio da vida de Cristo. Esta experiência é um deserto, no qual, cada um é testado em suas fraquezas e aperfeiçoado na vida de Cristo. 
Andar com Deus é, portanto, uma experiência resultante da ação monérgica do próprio Deus. Este processo é iniciado após a regeneração para tornar os eleitos apresentáveis diante d'Ele conforme Cl. 1: 21 e 22 - "A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis." Desta forma a reconciliação dos eleitos e regenerados não se dá por seus atos de bondade ou de justiça própria, mas porque foram reconciliados por meio da inclusão no corpo de Cristo em sua morte de cruz. Enquanto as religiões humanistas prosseguem no falso evangelho, não experimentarão a verdade que liberta total e absolutamente.
Sola Scriptura!
CRISTIANISMO SEM CRISTO X
Tt. 1: 9 a 16 - "... retendo firme a palavra fiel, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para exortar na sã doutrina como para convencer os contradizentes. Porque há muitos insubordinados, faladores vãos, e enganadores, especialmente os da circuncisão, aos quais é preciso tapar a boca; porque transtornam casas inteiras ensinando o que não convém, por torpe ganância. Um dentre eles, seu próprio profeta, disse: os cretenses são sempre mentirosos, bestas ruins, glutões preguiçosos. Este testemunho é verdadeiro. Portanto repreende-os severamente, para que sejam são na fé, não dando ouvidos a fábulas judaicas, nem a mandamentos de homens que se desviam da verdade. Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas. Afirmam que conhecem a Deus, mas pelas suas obras o negam, sendo abomináveis, e desobedientes, e réprobos para toda boa obra."
A existência de uma categoria de cristianismo anômalo é perfeitamente visível na atualidade. Entretanto, não é por questões comportamentais que se percebe isto, mas pela proclamação de um falso evangelho. Em geral, as pessoas acusam esta ou aquela religião de não ser verdadeiramente cristã por razões ligadas à baixa moralidade dos seu seguidores. Porém, o comportamento ético-moral de um cristão é pautado pela vida de Cristo e isto só é possível quando se ganha a vida d'Ele como um princípio interior. De nada aproveita uma pessoa se conter para não cometer delitos, erros, atos pecaminosos, sendo portador da natureza pecaminosa em seu coração. Tal natureza é residente e persistente em todos os homens conforme Rm. 5: 12 e 18 - "Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida." Então, o pecado tornou todos os homens injustos, a saber, desajustados em relação à natureza de Deus. Todavia, a justificação em Cristo torna todos os eleitos e regenerados novamente justificados perante Ele. Ao processo de restauração do espírito corrompido no homem, dá-se o nome de "novo nascimento" ou regeneração. A regeneração, isto é, nova geração em Cristo não é um exercício de religião exterior.
Segundo o texto de abertura, é a palavra fiel, ou seja, a pregação de acordo com as Escrituras que é conforme a doutrina e não a doutrina conforme a palavra do pregador. Isto implica dizer que a pregação é fiel quando anuncia o ensino das Escrituras. É esta postura que torna o pregador dotado da autoridade do alto e não os seus preceitos, regras, normas comportamentais, rituais e liturgias. Os pecadores poderão até atacar o pregador, mas jamais poderão contra a verdade conforme II Co. 13:8 - "Porque nada podemos contra a verdade, porém, a favor da verdade." É a doutrina sadia, pura e exata que silencia os contradizentes e não doutrinas de homens cujas mentes são contaminadas pela corrupção do pecado original.
As fábulas judaicas mencionados por Tito é uma referência ao emaranhado dos preceitos da religião legalista. Os insubordinados e falaciosos misturam sempre algo a mais à pureza do evangelho. Verifica-se muito nestes dias o renascimento da tendência à diluição da graça com a lei. À adoção por diversas igrejas do "cristianismo sem Cristo" se dá pelos valores e ensinos do judaísmo, originando as doutrinas judaizantes. Decoram as igrejas com réplicas da arca da aliança, instituem ministradores da música como levitas, tocam o 'shofar' que era usado apenas para as convocações à oração e assembleias dos anciãos. Há grupos que constroem seus templos como réplicas do templo de Salomão.
No tocante aos mandamentos de homens referidos por Paulo é uma alusão aos ensinamentos gnósticos introduzidos nas igrejas por influência da filosofia helênica naquele tempo. Hoje, o gnosticismo se prolifera abertamente na adoção de diversas práticas místicas cujo objetivo é colocar toda a centralidade no homem  e nos seus feitos para alcançar espiritualidade. Ora, como se pode alcançar espiritualidade se o espírito do homem está "morto" para Deus? Por esta razão é que o apóstolo afirma: "antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas." Enquanto o pecador decaído e corrompido não é reconciliado pela justificação em Cristo, nada nele é espiritual. O "cristianismo sem Cristo" sobrevive de alimentar  a alma contaminada pela natureza pecaminosa, confundindo suas reações sensoriais como coisas espirituais. Por isto Jesus, o Cristo ensina em Jo. 3: 3 e 5 - "Respondeu-lhe Jesus: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Jesus respondeu: em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus." Então, sem novo nascimento, não vê e não entra!
Solo Christus!
VIVER PARA QUEM E PARA QUE?
Rm. 14: 7 a 14 - "Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. Pois, se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. De sorte que, quer vivamos quer morramos, somos do Senhor. Porque foi para isto mesmo que Cristo morreu e tornou a viver, para ser Senhor tanto de mortos como de vivos. Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Deus. Porque está escrito: por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus. Assim, pois, cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Portanto não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao vosso irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nada é de si mesmo imundo a não ser para aquele que assim o considera; para esse é imundo."
Uma das maiores dificuldades do homem regenerado é manter-se em posição e relação absolutamente dependente da graça de Deus. Há enorme dualidade, porque de um lado o nascido de Deus foi libertado da culpa do  pecado, mas de outro lado ainda vive em um mundo sob a influência do pecado. A libertação que Cristo veio realizar, e realizou, abrange a aniquilação da culpa do pecado. Isto implica dizer que a morte que separava o homem decaído foi aniquilada na morte d'Ele conforme Hb. 9:26 - "... mas agora, na consumação dos séculos, uma vez por todas se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." Foi um único  ato com efeito abrangente e eterno. Quanto a libertação da influência do pecado é um processo permanente ao longo da vida nesta esfera da existência conforme Pv. 4:18 - "Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." O justo a que alude o texto não é justo segundo a sua própria justiça, mas aquele que foi justificado em Cristo. O que conta é a justiça de Cristo no regenerado e não seus atos de justiça própria.
O texto de abertura ensina sobre a razão de ser da vida dos eleitos e regenerados. Mostra que, uma vez redimido, o eleito não se pertence mais, pois quer viva, quer morra, vive e morre para o Senhor de suas vidas. A maioria dos religiosos vive uma dicotomia: em suas palavras declaram viver para Cristo, em seus atos insistem em dirigir suas vidas para si mesmos. Querem apenas usufruir das bênçãos oferecidas nas Escrituras. Recebem a doadão, mas não ao doador. Buscam desenvolver uma espécie de santidade própria à revelia daquele que é o Santo. Isto ocorre, porque suas doutrinas são ensinos de homens e não das Escrituras. Não sabem pelo espírito que Deus não aceito o que é mal e também o que é o bem produzidos pela vontade do homem. Tudo  deve ser desconstruído para Cristo ser formado na nova criatura nos moldes de II Co. 5:17 - "Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo." Para que tudo seja, de fato, novo a condição é "estar em Cristo." Um homem só está em Cristo quando recebe graça para crer que foi incluído em sua morte, como também na sua ressurreição. Tolo é o religioso que acredita que Jesus, o Cristo estava sozinho na cruz. O ensino é substitutivo, mas também inclusivo conforme Jo. 12: 32 e 33 - "E eu, quando for levantado da Terra, todos atrairei a mim. Isto dizia, significando de que modo havia de morrer." Jesus, foi levantado da Terra três vezes: na cruz, na ressurreição e na ascensão. Neste texto fica claro que é na crucificação, pois especifica e tipifica a morte e não a ressurreição e a ascensão.
Muitas igrejas e seitas transformam o reino de Deus em questões puramente comportamentais. Definem como essencial o que a pessoa come, como se veste e o que faz ou deixa de fazer. Abandonam e desprezam o próprio Senhor Jesus e põem a ênfase em questões morais. O que adianta a um portador da natureza pecaminosa  abandonar atos e atitudes de imoralidade se não estiver em Cristo. As suas boas ações lhes servirão apenas para viver exteriormente bem, mas jamais poderão redimi-lo da maldição interior do pecado. Ao nascido do alto, entretanto, os seus atos  e atitudes corretos ou incorretos serão todos  passados pelo crivo da vida de Cristo que nele passa a habitar. Para os regenerados em Cristo,  o que conta é o que Cristo é neles e não o que eles fazem ou deixam de fazer por si mesmos. Nos redimidos, é a vida de Cristo que põe em marcha o processo da produção  da santidade d'Ele. O ensino  paulino não deixa margem às dúvidas conforme Gl. 2: 19 e 20 - "Pois eu pela lei morri para a lei, a fim de viver para Deus. Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé no filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim." Morrer para a lei é morrer para os valores humanistas consagrados como solução para ganhar a vida eterna. Ao morrer para os preceitos da lei, a vida de Cristo ocupa o lugar e dá início à vida d'Ele como centralidade. Paulo mostra que, mesmo a vida sob influência do pecado que há no mundo, está sendo conduzida por Cristo pela fé. Este texto mostra claramente a morte inclusiva e substitutiva: "... já estou crucificado com Cristo" e "... e se entregou a si mesmo por mim."
Então, viver para Cristo é viver à disposição d'Ele e não por meio de atos e atitudes próprios, ainda que éticos e morais. Quanto a conduta correta ao longo da vida é consequência da vida de Cristo e não a causa dela. Por estas razões é que há muitas brigas, disputas e rachaduras nas igrejas institucionais. Os religiosos disputam entre si  quem  é mais santo, mais justo e mais merecedor da graça de Deus. Ascendem a fogueira das vaidades, tornando o que deveria ser exemplo da vida de Cristo em escândalos e soberba religiosa. Neste sentido, ofendem ao Senhor Jesus, o Cristo e afastam-se cada vez mais da sã doutrina das Escrituras.
Sola Gratia!
CRISTO: ESSÊNCIA E CONVERGÊNCIA
Rm. 11: 33 a 36 - "Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro? Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado? Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."
Watchaman Nee em sua obra "Cristo, A Essência De Tudo O Que É Espiritual" afirma que não há nada fora de Cristo. É importante ressaltar que este verdadeiro cristão teve uma profunda experiência espiritual, além de ter passado boa parte da vida nas prisões da China Comunista. Tal reclusão não era por outras questões, senão por defender o evangelho verdadeiro. Ele demonstra na obra retromencionada que a única realidade que Deus tem para o homem é Cristo e não coisas. Mostra claramente que, quem tem Cristo, tem tudo, porque Ele é o tudo de Deus. 
Muitos religiosos, no afã de satisfazer apenas seus desejos humanos substituem o doador, que é Cristo, pelas doações ou bênçãos materiais. Tendo o doador, têm-se todas as doações, mas nem sempre quando se têm as doações se pode ter o doador. Tais pessoas cultuam um cristianismo triunfalista e de recompensas, desenvolvendo, para tanto, uma teologia singular: afirmam que prosperidade, saúde, fama e prestígio são sinais da aprovação de Deus na vida de uma pessoa. Ora, ainda que Deus possa conceder bênçãos a qualquer pessoa, nada do que é material pode conquistar o reino espiritual. O que é corruptível não pode herdar o reino eterno, pois a natureza deste reino é incorruptível, logo, tais coisas não se sustentariam nele. É como afirma Jesus, o Cristo: "... o que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro se perder a sua alma?"
Outros religiosos não conseguem distinguir entre quem é o Cristo pré-existente ao próprio mundo e o homem histórico Jesus nascido de mulher. Obviamente, não são duas pessoas distintas, mas uma única pessoa dotada de duas naturezas: a divina e a humana. Assim, Jesus, o Cristo é o único ser em todo o universo que é cem por cento homem e cem por cento Deus. A fusão destas duas naturezas se descreve em Jo. 1: 14 - "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade; e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai." O verbo a que alude o texto é a tradução portuguesa para "Logos", que, em última análise, significa a palavra ou o princípio ativo e criativo de Deus. Os mundos, a saber, a soma de todas as coisas foram criadas pelo poder da palavra conforme Hb. 11:3 - "Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê."
No capítulo um do evangelho de João leem-se as seguintes revelações: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez." Mostra que o verbo, a saber, o Logos é Cristo e que Ele é Deus, portanto, anterior ao homem histórico Jesus. Ele é o gerador de todas as coisas que há, antes que qualquer delas houvesse. Isto porque as Escrituras no-lo informam que Ele é antes de todas as coisas conforme Cl. 1: 17 - "Ele é antes de todas as coisas, e nele subsistem todas as coisas." Desta forma é Cristo, de fato, a essência de todas as realidades e todas elas subsistem n'Ele.  Não há dicotomia ou tricotomia alguma. Estas ideias moduladas de ver o  mundo é consequência da natureza pecaminosa e do ensino desvirtuado da verdade nas religiões. Milhões de pessoas buscam religião, mas o mundo e a natureza pecaminosa continuam residentes e latentes em suas mentes e corações. Enquanto, não experimentarem o nascimento do alto, permanecerão em suas religiões e crendices horizontalizadas e desesperadas.
O texto de abertura dá uma visão simplificada da essência e da profundidade das realidades espirituais. Portanto, tais esplendentes realidades só poderão ser conhecidas pelo espírito. Isto porque o ensino mostra que "Deus é espírito e as coisas espirituais só podem ser discernidas espiritualmente." Esta é a razão de tanta miséria, divisão, soberba e orgulho religioso dentro das igrejas. Elas querem alcançar o espiritual pelo almático e material, buscam as armas verdadeiras, valendo-se das armas errôneas. Neste sentido acabam por desenvolver os poderes latentes da alma, julgando serem poderes originados de Deus. Ledo engano! São antes poderes puramente humanos controlados e manipulados pelo Diabo. 
Também é mister dizer que tudo converge para Cristo. Em Cl. 1: 16c  diz: "... tudo foi criado por ele e para ele." Ele, Cristo, não só criou todas as coisas, como todas elas convergem para ele na restauração final. Por esta razão é que todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Ele é o Senhor Soberano e Absoluto conforme Rm. 14: 11 - "Porque está escrito: por minha vida, diz o Senhor, diante de mim se dobrará todo joelho, e toda língua louvará a Deus." Até mesmo os que forem julgados e condenados eternamente reconhecerão Cristo como Senhor. A lei veterotestamentária convergiu e terminou em Cristo conforme Rm. 14:4 - "Pois Cristo é o fim da lei para justificar a todo aquele que crê." Desta forma, Cristo é o fim, tanto como ato final e definitivo como finalidade da existência da lei, quer seja cerimonial, quer seja moral antes da sua manifestação concreta e histórica em Jesus.
Sola Gratia!

terça-feira, 8 de abril de 2014

                  APASCENTANDO OVELHAS OU ENTRETENDO BODES?

Algo mal acontece no declarado arraial do Senhor, tão grosseiro em seu descaramento, que até os cegos espirituais dificilmente deixarão de perceber. Este mal tem se desenvolvido em proporções anormais durante os últimos anos e vem agindo como o fermento, até que toda a massa fique levedada. O diabo raramente fez algo tão engenhoso quanto sugerir à igreja que sua missão consiste em prover entretenimento para as pessoas, tendo em vista ganhá-las para Cristo.

Da pregação ousada, como faziam os Puritanos, a igreja foi baixando o tom de seu testemunho; depois, tolerou e justificou as frivolidades de sua época, para, em seguida, começar a aceitá-las em suas fronteiras; agora, a igreja as adotou sob o pretexto de ganhar as multidões.

Meu primeiro argumento é este: as Escrituras não afirmam, em parte alguma, que prover entretenimento para as pessoas é uma função da igreja. Se esta é uma obra cristã, por que o Senhor Jesus não falou sobre ela?

"Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura." (Mc 16:15) Isto está bastante claro. Se Cristo tivesse acrescentado: "E oferecei entretenimento para aqueles que não gostam do evangelho", assim teria acontecido. No entanto, não se encontram tais palavras. Nem sequer lhe ocorreram.

E mais: "Ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres" (Ef 4:11). Onde aparecem nesse versículo os que providenciariam entretenimento? O Espírito Santo silenciou a respeito deles. Os profetas foram perseguidos porque divertiam as pessoas ou porque recusavam-se a fazê-lo? Os concertos de música não têm um rol de mártires.

Em segundo lugar, prover distração está em direto antagonismo ao ensino e à vida de Cristo e de seus apóstolos. Qual era a atitude da igreja em relação ao mundo? "Vós sois o sal da terra", algo que o mundo desprezará, não o "docinho". Pungente e curta foi a afirmação de nosso Senhor: "Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos". Ele estava falando com terrível seriedade!

Se Cristo tivesse introduzido mais brilho e elementos agradáveis em seu ministério ele teria sido mais popular, ao invés de as pessoas O deixarem por causa da natureza inquiridora do seu ensino. Porém, não O vejo dizendo: "Pedro, corra atrás do povo e diga-lhe que teremos um culto diferente amanhã, algo atraente e breve, com pouca pregação. Teremos uma noite agradável para as pessoas. Diga-lhes que com certeza gostarão desse tipo de culto. Vá logo, Pedro, temos de ganhar as pessoas a qualquer custo!"

Jesus teve compaixão dos pecadores, lamentou e chorou por eles, mas nunca procurou entretê-los.

Pesquisaremos em vão as cartas do Novo Testamento a fim de encontrar qualquer indício deste evangelho de entretenimento. A mensagem das cartas é: "Retirai-vos, separai-vos e mantenham-se afastados!" É evidente a ausência de qualquer coisa que tenha aparência de brincadeira. Os apóstolos tinham confiança irrestrita no evangelho e não utilizavam qualquer outra arma.

Depois que Pedro e João foram encarcerados por pregarem o evangelho, a igreja se reuniu para orar, mas não suplicaram: "Senhor, concede aos teus servos que, por meio do prudente e discriminado uso da inocente recreação, mostremos a essas pessoas quão felizes nós somos." Eles não pararam de pregar a Cristo, por isso não tinham tempo para arranjar entretenimento para seus ouvintes. Espalhados por causa da perseguição, foram por todo lugar lugar pregando o evangelho. Eles "transtornaram o mundo." (Atos 17:6) Essa é a única diferença! Senhor, limpe a igreja de todo o lixo e futilidade que o diabo impôs sobre ela e traga-nos de volta ao método dos apóstolos.

Por último, a missão de prover entretenimento falha em alcançar os fins desejados. Ela causa danos entre os novos convertidos. Permita que falem os negligentes e zombadores, que foram alcançados por um evangelho parcial; que falem os cansados e oprimidos que buscaram paz através de um concerto musical. Levante-se e fale o alcoólatra para quem o entretenimento na forma de drama foi um elo no processo de sua conversão! Ninguém irá responder! A razão é óbvia: a missão de prover entretenimento não produz convertidos verdadeiros.

A necessidade imediata para o atual ministro do evangelho é uma instrução bíblica fiel, bem como ardente espiritualidade; uma é resultado da outra, assim como o fruto procede da raiz. A necessidade de nossa época é a doutrina bíblica, de tal forma entendida e experimenta, que ponha os homens em chamas.
                                  
                                   O QUE NÃO É O EVANGELHO





"Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura" - esta foi a ordem deixada pelo Senhor Jesus no momento de sua partida. Desde então, muitos discípulos de Cristo tem saído pelo mundo afora e falado a toda criatura. Mas será que todos estão, de fato, pregando corretamente o evangelho?
Não basta ir e falar qualquer coisa em nome de Jesus - é preciso dizer a mensagem correta. Falhar nesse ponto é mais do que prestar um desserviço ao reino de Deus - é trazer um prejuízo de conseqüências eternas, tanto para o mensageiro, quanto para os que recebem a mensagem.
Esse é um assunto tão grave, que Paulo, em sua carta aos Gálatas, considera anátema (amaldiçoado) aquele que perverter a mensagem do evangelho (Gl 1:6-9). Logo em seguida, o apóstolo questiona: "Porventura, procuro eu, agora, o favor dos homens ou o de Deus? Ou procuro agradar a homens? Se agradasse ainda a homens, não seria servo de Cristo." Com isso, subentende-se que alguns estavam pregando um evangelho agradável aos homens, ou centrado no próprio homem e não em Cristo.
Apesar de evangelho significar "boas novas", ou "alegres notícias", isso não quer dizer que pregar o evangelho seja alegrar os pecadores. A finalidade do evangelho não é, de forma alguma, massagear o ego das pessoas. Antes, pelo contrário, a verdadeira mensagem do evangelho faz oposição ao sistema deste mundo e "acaba com a festa" daqueles que vivem como se Deus não existisse.
No entanto, muitos pregadores da atualidade pregam justamente aquilo que as pessoas querem ouvir, a fim de agradá-las, e não o que precisam ouvir para salvá-las. A triste realidade é que Cristo tem sido anunciado mais como a "solução" de problemas do que como o Salvador de nossas vidas. Com isso, reduzem nosso amado Jesus a um "garoto propaganda" e o evangelho a um produto de mercado, que serve para mil e uma utilidades.
"E esta é a promessa que ele mesmo nos fez, a vida eterna. Isto que vos acabo de escrever é acerca dos que vos procuram enganar." (1 João 2:25-26)
Promessas de saúde, riqueza, fama e poder tem sido anunciadas como se isso fosse o evangelho. "Aceite Jesus e você terá direito a essas bênçãos" - esse é o falso evangelho que tem sido anunciado para se atrair um número cada vez maior de pessoas egoístas, materialistas e interesseiras. Como não faltam pessoas assim no mundo, as igrejas que prometem essas coisas enchem mais rapidamente, atraindo um público que não está nem um pouco disposto a renúncias, mas muito interessado em conquistas.
E é justamente a pregação desse falso evangelho, que não converte vidas, a razão pela qual a igreja não tem mais incomodado o mundo. Exemplo disso é o número cada vez maior de cantores evangélicos convidados para cantar em programas mundanos, ou o fato de cruzadas evangelísticas ganharem cobertura em canais de TV que anteriormente perseguiam os cristãos. E a maioria dos crentes está tão cega que considera esse aplauso do mundo uma conquista, quando na verdade é o sintoma de que algo não vai nada bem com a igreja.
"Ai de vós, quando todos vos louvarem! Porque assim procederam seus pais com os falsos profetas." (Lucas 6:26)
Portanto, o verdadeiro evangelho não trás alegria para o perdido e nem recebe os aplausos do mundo, mas trás o perdido para a verdadeira alegria e o liberta das paixões desse mundo.
O falso evangelho pode até alegrar as pessoas por um tempo, com suas expectativas temporais, mas não lhes concede a verdadeira  e eterna felicidade, que está em desfrutarmos da plena comunhão com Deus por meio de Jesus Cristo, no qual há verdadeira e eterna vida.